HISTÓRIA

    Nos meados do ano de 1977, a Patrulha do Espaço foi formada com o intuito de ser uma banda de rock and roll sob a capitania  de Arnaldo Baptista, que voltava a ativa após anos de amargura e incompreensão. Éramos eu na bateria, o John  Flavin na guitarra e Osvaldo Gennari  o "Cokinho"  no baixo. Por esta banda largamos tudo o que estávamos fazendo musicalmente na época e nos entregamos de corpo e alma ao grupo. Ensaiamos e arranjamos as músicas do Arnaldo durante uns 30 ou 40 dias seguidos e a banda soava como se tivesse anos de estrada, era maravilhoso.
           Logo as pressões comerciais e os abutres jogaram  sua sombra sobre nós e o que era para ser uma unidade só se transformou em um engendro chamado Arnaldo e a Patrulha do Espaço. O importante é que começou um processo de distanciamento que seria irreversível entre o Arnaldo e A Patrulha, que culminaria com a saída de John Flavin poucos dias antes da estréia da banda. Dessa formação na época ficaram os altos e baixos astrais e um trabalho maravilhoso de estúdio que só viria a ser conhecido em parte mais de uma década depois.
  
         Para uma melhor localização no tempo e no espaço e adotando o critério que o começo profissional de um artista se dá quando ele pisa num palco, a estréia da banda foi no dia 17 de setembro de 1977 no Ginásio do Ibirapuera em São Paulo ante 8.000 pessoas e com o Eduardo Chermont, o Dudu,  na guitarra. E desse jeito, entre tapas e beijos, vitórias e derrotas, ficamos com o Arnaldo até o dia 28 de maio de 1978, quando fizemos nosso último concerto no Anfiteatro Cacilda Becker em São Bernardo - SP. Foram nove meses, o tempo de uma gestação.
           No primeiro momento, quando nos separamos do Arnaldo, eu  o Dudu e o Cokinho ficamos em um estado que era um misto de raiva, depressão e esperança, porque não nos separamos numa boa e tínhamos compromissos profissionais e contratuais para cumprir dali a dez dias. O problema maior era o repertório, já que com exceção de duas músicas, o resto do trabalho era do Arnaldo. O vocal, a princípio, o Dudu iria segurar. Então, devido ao escasso tempo, começamos a cavocar o baú de nossas outras bandas antes da Patrulha e assim garimpamos, umas músicas de quando gravei com o Made in Brazil e uma banda Argentina em que eu havia tocado e gravado pouco antes de abordar a nave da Patrulha, que era o Aeroblus. O Cokinho resgatou alguns temas de sua ex-banda Neblina, e o Dudu tirou da manga algumas composições. Nesses dias frenéticos, ensaiávamos num depósito de móveis na famosa rua Augusta em Sampa, em que dispúnhamos de um pequeno auditório com uns 30 lugares e um palco onde cabía os três e algum equipamento. Fora do palco no dito auditório,  ficava o resto do equipamento, nosso fiel roadie Ronaldo, um pequeno gravador mono, daqueles com microfone embutido que apitava quando não estava gravando. E no meio desta balbúrdia de fios, suor e cadeiras havia ainda espaço para alguns amigos, entre eles um assíduo freqüentador dos noturnos ensaios, Percy Weiss, ex-vocal do Made in Brazil e que na época estava sendo cortejado para entrar na banda do Netinho, a Casa das Máquinas. Durante aqueles dez dias, o Percy foi a oito ensaios e naturalmente, ia colocando uma voz aqui, dando um palpite ali ou uma harmonia acolá. Quando nos demos conta o cara tava lá em cima do palquinho com a gente e com ele vieram ainda mais um monte de equipamento e sua entourage particular. Ali dentro era melhor que o útero materno. Tínhamos nossas leis, nossa música e o futuro pela frente, não nos importando com os altíssimos decibéis que invadiam a não menos frenética rua Augusta, com seus playboys, putas, desocupados e dezenas de bares. Atrás das pesadas portas do nosso mocó não havia lugar para o medo do sistema repressivo e opressivo que nos circundava e se fazia mais visível através das famigeradas viaturas cinzas da Rota que insistiam em passar bem devagar diante do nosso santuário. Ali só havia lugar para um sonho, o de fazer rock and roll na terra do samba, dos milicos e da discoteque. Eram tempos muito duros e difíceis, tudo contra e nada a favor. Verdadeiros anos de chumbo.
  
         Assim se gestou a Patrulha, e no dia 8 de junho de 1978, Percy, Cokinho, Dudu e eu pisamos o palco do Ginásio de Esportes de Sorocaba para o primeiro concerto juntos. Fizemos mais algumas datas com a insegurança natural dos poucos ensaios e do repertório montado as pressas. Porém, ganhamos confiança no nosso trabalho que já naquela altura do campeonato não era apenas tocar, mais cuidar também de todos os aspectos relativos a produção e administração da banda. Já que mesmo nos tempos iniciais com o Arnaldo, só contamos com uma estrutura empresarial nos primeiros quatro shows e na gravação do, naquela altura, esquecido disco. Graças ao empresário da época, que decidiu se dedicar exclusivamente ao Terço e Mutantes, aprendêramos a andar com nossas próprias pernas, e pagamos um elevado preço por isso, a nível trabalho e financeiro. Estávamos sós, e portanto, donos dos acertos e erros.
  
        Estávamos há um ano ininterrupto na estrada, precisando ensaiar melhor e compor com o Percy. Ademais dos corações e mentes cansados, o equipamento estava detonado de tanto monta, desmonta e uso abusivo. A providência fez com que fossemos para um sitio  no interior paulista não longe da metrópole e durante quase dois meses ensaiamos e compusemos material suficiente para voltar a estrada. Gravar nem pensar. Rock no final dos anos setenta, era para muitos, anti-comercial, coisa de cabeludos marginais. Após o boom roqueiro de 73 a 76 o movimento estava estagnado, perseguido por forças retrógradas em todas as esferas da sociedade. Fora a mais direta intervenção do braço armado do sistema civil que é a polícia.
  
        A nova e flamante formação da Patrulha teve sua estréia oficial em São Paulo, em um ciclo de concertos no Teatro Treze de Maio, entre agosto e setembro de 1978. Mais alguns shows no ABC e estávamos de novo afiados para tentar novos horizontes, sair do casulo, da capital e do estado. Tocávamos para sobreviver material e espiritualmente e havíamos construído uma boa reputação. Tínhamos que sair pra estrada, assim resolvemos expandir o trabalho para fora do estado, já que havíamos conquistado um bom público na capital e tínhamos um reduto muito grande de fãs no ABC (São Caetano, São Bernardo, Santo André) e na periferia de São Paulo. Tocávamos para a molecada fudida, os filhos dos operários e metalúrgicos, os marginais do sistema assim como nós. E éramos adorados por aquela geração. Por isso não poupávamos esforços para levar nossa música ao nosso público. Por outro lado, tínhamos que sair do gueto, e não ia ser pelo rádio ou TV. O único caminho era a estrada. Assim que produzimos nossa primeira tour para o sul do país, esses conceitos que tínhamos na época, essa coisa de trabalhar as bases, fazer tournês, auto-empresariar, hoje em dia podem até ser  lugar comum, mas na época era uma coisa bastante revolucionária e uma carga pesada para uns garotões como nós. Apesar das adversidades fantásticas encontrávamos força na  nossa unidade. Éramos uma família, nós,  os roadies e os instrumentos eram extensão dos nossos corpos.
  
        A nossa primeira tour no sul funcionou bastante bem, apesar dos constantes problemas com o P.A., mais uma vez a providência pôs no nosso caminho um técnico de som que a cada cidade reconstituía o equipamento para o próximo show.  Já ao final da tour o equipamento parecia um frankenstein de tantos remendos. As caixas do P.A. que vinham da época dos Mutantes e do Made, estavam literalmente se decompondo. Mais uma heróica etapa cumprida e novos territórios conquistados, fechamos o ano de 1978 com dois shows ao ar  livre na Concha Acústica do Taquaral em Campinas.
  
        O desgaste do equipamento foi resolvido retirando-se os falantes das caixas e jogando as mesmas no lixo. Mas os últimos seis meses de estrada, loucura e rock and roll estavam causando novas rachaduras na monolítica formação da Patrulha. Dessa vez as desavenças estavam pintando entre a banda e seu mais novo membro, Percy.
  
         Nos meses que se seguiram, tentamos uma nova composição que desse um novo impulso nas internas da banda. A saída foi a incorporação do Walter Baillot como segunda guitarra, o Waltão exímio e pesado tocador de Les Paul vinha do Joelho de Porco e do Cães e Gatos, banda formada pela Rita Lee após a separação do Tutti-Frutti.
  
         Apesar de todos os esforços, a separação caminhava inexorável para seu desenlace. Antes fizemos uma apresentação os cinco, eu o Dudu, Cokinho, Percy e Waltão em um dos salões de rock da periferia paulista.  A seguir a última apresentação com o Percy e o Waltão no hoje histórico e lendário concerto do Teatro Pixinguinha, em 16 de abril de 1979. Fechamos esta fase com broche de ouro, no enorme e totalmente lotado Teatro no coração da Paulicéia. Nesse show nos despedíamos do Percy e da Gibson S.G do Dudu, que foi quebrada  e imolada aos deuses do rock naquele palco para delírio dos milhares de fãs. O saldo dessa formação, por parte do Waltão, foi o enorme aporte  tecnológico que na época ele trouxe para a banda como o sistema sem fio F.M. para guitarra, o talk-box efeito para guitarra. Tudo isso obra dele, material artesanal feito por ele e que só iria ser incorporado às bandas muitíssimos anos depois. Fora a inclusão de uma música do Joelho de Porco no repertório da Patrulha, que se tornaria um clássico da banda e um hino da nossa geração. O nome do tema - "Meus 26 Anos". O Percy voltaria pouco tempo depois para o Made, mas sua amizade e colaboração ficariam com a Patrulha até os dias de hoje. E nós seguiríamos o que era para ser nossa inclinação natural como banda, um trio pesado.
  
        Seguindo nossa vocação natural de trio, Cokinho, Dudu e eu  continuamos na roda viva dos concertos, eventualmente somando algum convidado como foi a fugaz passagem do lendário guitarrista argentino Pappo nos concertos de 27 e 28 de abril de 79 no Teatro Santos Dumont em São Caetano, logo após o concerto do Pixinguinha. Fora que tínhamos a salutar política de sempre levar bandas para abrirem nossos shows. Novamente estávamos presos de novo no reduto do ABC paulista, terra de roqueiros, baluarte  e alicerce de grandes bandas paulistas como no futuro seria para o "Golpe de Estado". O ABC era território da Patrulha, mas queríamos mais, queríamos um disco, um novo equipamento e novos territórios. Tínhamos que jogar grande. Podíamos ficar anos ali onde estávamos, mas o Brasil não era São Paulo. Tínhamos  que ser de novo bandeirantes.
  
         Desta vez não bastaria visitar outros estados. A tour teria que ser nacional e aproveitando os contatos argentinos, porque não estender a tour para lá. Para montar a tour, paramos de tocar ao vivo três meses. Nesses noventa dias iríamos gravar um disco independente, lançar um jornal tablóide de apoio para a tour, reequipar a banda com um novo P.A., agendar e articular a promoção da mesma.
  
         Para a gravação, um papo com o André Christovan nos levou ao estúdio de um amigo dele, recém chegado dos EUA que estava montando seu estúdio de oito canais. É importante saber que apesar de estarmos falando de 1979, na época haviam pouquíssimos estúdios operando de forma independente e de preço acessível. Fechamos a gravação com o Guto. Na época o estúdio se chamava Imaginasom, hoje em dia se chama Guidon. Restava o problema da prensagem, capa e distribuição, Apesar de eu já ter nas costas na época dois discos gravados em grandes gravadoras - o primeiro do Made (RCA) e o Aeroblus (Phillips) na Argentina - não dominávamos os mecanismos. A grana era curta, pois o operacional de toda a produção, tour+disco+equipa+jornal, e promoção representavam uma operação financeira gigantesca. Quando buscamos apoio com alguns empresários, estes chegaram a temer pelas suas vidas e pelas nossas, pois achavam eles que nós estávamos peitando as grandes gravadoras, entrando no seu sacrossanto direito de explorar os artistas. Nós nunca havíamos sequer pensado neste aspecto. Só então nos demos conta de quão ambicioso e pioneiro eram na realidade nossos planos. Anos depois o Boca Livre iria lançar um LP independente de grande sucesso e despertar milhares de artistas para este tipo de caminho alternativo. Mas naquele momento creio que fomos de um pioneirismo  e coragem sem precedentes.
  
         A gravação do disco preto da Patrulha,  como ficou conhecido o disco,  começou com nós e o Guto Guidon no estúdio, sem a menor pré-produção  e muito menos um produtor. Não porque não quiséssemos um. Eles simplesmente não haviam e os poucos que poderiam ter feito algo como o Pena Schmidt, não  estavam ao alcance dos nossos já combalidos bolsos. Ainda assim, vários amigos foram ao estúdio  levar algumas dicas, equipamento, solidariedade e incentivo.  Cabe lembrar o Celso Vecchione do Made, o Norton Lagoa do Burmah e é claro, o Percy. Não podemos esquecer que neste momento éramos um trio, iríamos gravar tudo e o Dudu cantar. E assim foi até o momento de colocar as vozes. É sabido que raramente se coloca voz em um disco pela manhã, mas nós não sabíamos disso, e no nosso apertado orçamento, gravávamos quando dava. Assim que íamos colocar as vozes todas em uma só sessão de gravação, as sessões nos estúdios em geral são de seis horas e nós tínhamos marcado 30 horas para gravar um L.P. Uma temeridade e algo impensável em termos de uma grande gravadora.
  
         Chegamos ao estúdio cedíssimo. As oito hðWYjš½¯ì⿈š•qyk6¿ðÆ_ >-i—7v§>‘¨ÚéËà_Üj…µýµÄ76Ñ[›‹im¥Žxãhœo,,n?áøñ3Ä1Ù\jr¬Vú}3Ã2Gb$er­3ƤF͸*±××üYÿ«ÿ‚­þÆ¿·/†¿i_‰³¿ð³à?Š>x×áÄù¾$ëþ𯌤ðω¿²õ½ãEðα&±%Ü6ðï…®%ŽæÊÌ}’Æäy‚FîÏø8Ïþ ïñ÷þ ãñÁÿ±'ìM?„üã«_‡ZŒþ+|M½ðÞâC¾ ’â?xÁz·o.—¦ÝaY=íì÷v7gìºÆœ–IjË,²~Á6?àã?ø,ß…>(xá–†¾,ÿ‚ƒØkºª >xËÂúÇŒ<} íו?ü#;ðn˜ÚÎ(»Ô!Û%øÔôûp‘ÇöD„mØ_í½ÿÚ~ÍðQ_ÛËÄß¶gí ñ‡âÅŽ®øOáׇî¾x ÛDðåµýç€ô‡ÐÞòóÇ—ðÞ]&•u§Ûi*öÖ¶V·¼ ·çÎAè/ßÙëþ ‡ÿ`øâx?@ø%û(|/Ò­l ñ¯Äojj¾$ñL¢Wû†»ã¿ÞßkÞ4Õ¥ŸÏ6ZjÜ];HZ;+@I§gv®+ie¡öG‹½WãßÀ ÏûB|‡áƹñÁ`|MøãíKÂm¼<ú´SAªx;ÄWú/Ú4ÚýÂɵZ'I¶MJ²Fº ÿgï‚ß³oɾþÏÿ¾|*ðfš5=WMðWà èžÑeÕîRIæ¹6Úu´16£<ë{‰‹9Âï}¨1ü.ÿÁS?àð)uKMká?üÂ-a мӵÚk⦃no¢&9mÖûáOÃ+÷‘`+½^CÄ‘H:6Îß ÿÁ3?àíOÚËötÔôï~ܶWßµ—Áù58Úo ô­'ãï„ì®îCÝËk¬ÏäX|D³·C+Ceª [Çi/íÈmâŽOwÐkeÔú³þ KÿÁcþ|D×>øös׿àžŽ{«M#ÅÚ¾—£üOñ§Ä{’³ë>ø¯>•uáhmšÍ7˜ôî®í$•¢—S2!Hþÿ‚TÁηOÁŸŽþ~Õ_5_Ú;öpñgŒôïøÊ÷ÇÐZê¼#kã˜. þÔ ªxÆ}Gá?Å[oÿÂ?¤ Åà;]?â¶›p5/x….l#ÖfÖžóš…»[Þ\Z*\í–ÅG»_ócV*C)Ã{ƒ_ëÿ8~Æ¿·oí×û!ü-ýž¿bÿ„ö_ô]3â<_>+Ä|wáo kwv¾ ðþ©¥øGÃ:&—â‹ûHµï6÷ÄZ…ü Ý#$º ¢ÃÓJ6šÏÅïø&‡üà=Ö«mñcö.ý§|ˆSûKV¾ø+ãë¯ À“^}‚Þaâ/DŸM– .ʤr%ÓG+K”Î$F`gÈZ—ø?Å;ñvªYt¿ ø7ÃúÇŠ#ø—Çú´W¼àï„^@|#¯kW²ŠãÅ:`°·Yu+›l-n™?ÑGàüÚËà÷‡¾;|*ý>|ý€<7|á…¿þ h:w‰ÿhü'Ðî¬.þ+jþ?ñ¾­’i׈RÍ?×_êÚ–‡hWU½Æ§åXZý_ÿåý—5Íkã¹ñCÀÐürŸã_ÇO ~о!Ó¾5çüBм?ñÁÒþx_hZʼn´ðþ›¢xsO¸ZežÖãWº¸K“#Da¯†]ìG3z[–çó­û;ÿÁ3ít]#ö˜ý˜ÿd_‚Ÿ¾|ÿ‚”~Ä^ÖüwªL.>+|xøAð?XøwñŸã—‹|SñWX±µ»ñ•浬h·0è6²¦“§®„öº] ¸šæ)?¢ÙWþ éð7öTñÇíñÁ«®ø›Vý¤ÿhÿ~ÔúůŽßÃZõ—ÃωÞ8ÑîtÜ|/û'…í'ðť΋{wm3½ÍåܰÞÍn×mo#D~ê†8-£òZX‰RX—òÐÇrî_aŽO'ùÿ/ÿ‚ÜþÅðM_†7þ(ñ|-ñâ‚x®Oi_~xóÂ:—Ä«Ø5³ø†Y­üËàk-.Ææ)¯fÕ#ˆ£Ü[ÛG ·7PÄÎS”­wed—oë~á q…쵓»óÖÝÖýÄz7…ôÛígÄŽ£é–{¨jڥ宦XÚǻ͸½¿½•"´·@¹y$uD³_À÷üßþpðö½áo~ÆðNÏê³ÜêZ–¹àŒ¿´žqjè¶’M¦j~ø#¬iúŒŸÚPê>]Ôw$ˆ¤bÍš=+Ì’·AüéÿÁX?à¼_µïü ZÖ|¯jãáìºվ­á¿Ù÷ÁšŠ\i¯=„rÁa©xÿÆé¶·ÿ5uI$*çÊÒ`–O6ÏL‚U7áÇùý1üª &šâ{†Ý<ÒLÛ™·Jìí¹ð\–c’IŸ~z“PÑEQEQEQEQEQEQEQEQEQEõìÓûk~Õ߱ϊãñ§ìÃñëâGÁmue2Ýø†îËEÖ kfh¼Eá‰Ìšg‰mØÙÚîŽþÒæ3ötÊü¢¾^¢€?µØÛþ;ýª¾A øSöÊøðûãÿ‡í|»mKâ'ÃI%øSñAà3ŸSÔôW[ïø—SØØHm-<; à•[týYþÇ_ðrOüƒö·Òt'í% þÏÞ;Ô–®>þѰ·ÂýKO¿”/ú$^4Ô]ü/­n•‚Cö=nI¤ù ÛBò,gü~éÊî …wPq€8$Ž3Ø’G¹ÏZÿ{O üAøuñ+C‡Äñ§…¼uáÍFäµñƒµí7ÄÚ%ä2Çñµ®¯¢ÜOop­ иÙ!ù&Fû¬¤ÜÔüá¾—u¬hzVµ6¨Å¬h—Z•…–¡6‘«Û$Cªi3][¹Óµ$I'Už’¨™ÀpŠÿ /„´WÇßÙû_‡Å?>5üVø;â%¦±ðËâŠ|~dT( ÓøsT·7 °VMÊÊJA"¿h¾ÿÁÐðZO‡ÓÛ4Ÿµ„^:±¶‚ÖØhÿ>üÖl¤ŽÕá|Ë{¦øÇP–iR“JצWYÝ·‰q ÿUUý¿fht[ïY|ð>“ j`øÏ&¡hðxOµø¯o½¸øƒ¤ÛèbÜhž+x­”OygäMpg®F¹¹2ú­ÿÃ_ ß/‹ÙNµ§^øâÒÞÓ]Õ4Ÿk~¤¿bÓŸK±»Ñîa¼ÿŠP†ÕÎÉìE¼›ÕdvgUaþo¿ àõۿÖ"ÓâÇì×û6üMê~“âËÙ$óÚM×q?ˆõ«y£òc 0P9vÉJ÷}Kþ{øÈÖ¶#Fý~[_­ºJ]Sã·‰¯ìgºÊù’YZZü;¶’ÖÜ€ûQç™a—lÁ*1W²µÏïh|ðü,+âyñÄéu/ÃVþo\üOñ­ßíNÊÖÞúÚýSá½Þ¯&‹qâ5 ž]E,£½¹’ wºšckoåh¿ÀŸ†:Ÿ…£ð‡2’ê[«Û«Ñö¨õM$Á2Ãö¦†ä.cŒd.OùüÿÄo?´_ý—Áü;ž8ÿæf¼·_ÿƒ×n뛽þý•ÿe}Ãˈ}›\“âlj/Dâ5YäûuŸŽôÈÌ-(fHþÌ +l29È4’VJÈþÿü3û~ÂÞ ½ŸQðìgû*ø[Pº‹Èº¾ðïìõðE¼¹„1qÅΛàøÞh÷’v±#$ž¤š÷O ü)ø[ðþÆm7Á|à½6æåï'°ð¯„ôÙMváUîeµÒ4è‘ç*¨7-… üÎ|_ÿ›ÿÁPµ¤³_ |+ý‘<ð´w$?þ$k¦õXÖ>,:ۅàËnç ¯¾4ÁÒŸðYoŒKqoiûEètÛ•xßMø1ð¿ÀþÙ ¶ÑÛ;»â-+WÕíX²4«,ZŠL’H|¹6 ­n­®ø_A±¸×5ÍgOÑô½26žïUÕ.â±Óì¡SóËu{tV8#0Y˜×ãŸíUÿ ÿÁ'¿dÔ¸·ñwíoà?ˆ¾"·žkoøC¾™¾5ø„ÜÀ²‰¬îî< ö/CºYbu+©ê68l~`Gù&üiý°?jßÚ:êKÏ¿´—Ç/Œ’HÒ0‡âOÅøÂÆ$—˜¬ôÍoYšÚÆÝZêàG1Gk)HÕSå¯K±P¤ äÙÆ3ßýì~Ø_ðz¶¿ym¬øköý˜l´—ž+˜4ߊŸ´]ñ¾»¶]Íw6ß ü¨ù xc;â{Ÿ\B­´Ífëº!üh~Õ?¶÷íYûløÖëÇÿµÆÿü_צ¼¼»Ó ñ6¯<žðÂ_I“éþ ð¥±Mð†”|˜Ù´ë[hˆ·MÊÌ ×Ê”PEP |6ø­ñ'àï‹4_|)ñ׋>øã×B÷@ñ‡‚hš?jï‡^ý­|%¤Y[é©ãOí+‡?­²,PI¬x¢×N¿Ò¼a2ņ’ëI·¾¸winuefvþ?è õ ý•àêŸø$çí#6‘£x·â§Šÿf?ê-oè¿|u£h s!}Ÿ<'>­¡ÚYG“›JóM\.æEÍ~÷|2øÝð7ãžoã/ƒŸ~üWð¾¡Imâ/‡>2ÐüHñçÃOغIgâOx»_ð~»jñ±d{}[ÃÚ…¼ð°bNVAÏ=hýÞ|Eà‡þ9Ó.4oøKÃ>-ѯ$¼Ò¼G éšÞ—y$R¬±Ëuc©ÙÉÌ‹2«©ub®7 kçÿÁ>aÜZÝøãö0ý•¼]uc ÛÙÜø‹ö~øO«ÜZÁ#3É_xIÚ8ZF,P»¾lnæ¿ÊàOüWÿˆøÚLZí§ñ╦Oo,ÚÆË üaµÕ`†€ØêZߎ´›ÍhÛ2¹fh5H%gQ!?Í_¤^ÿƒÌ?੺=ÔÓxŸáÏìãgˆ¬6“|6ø…¡ˆeÈÄ¢}#âÂ4ƒü­‘óvÅ£‚ÿ`¿ØŸáª]¯ÃoÙ/öoøw%ìÏqqàŸÿ <7q%ժȶw&›áTó. ó\Äîac‚A“Cý’<=¥x^×ׯ?ÚÄ­iñ Çâ ø–ûâiðß‹fþÎ@-üs®|:Ñ47ŸáÁ˜4“i ¾UÃ9Žw’ßó߃þVÿ‚ˆ$›§ý›cùãÁýÚè¡%²0w‹‡Œg·éÁõ+þsý¨`µ5ŸØ‡àN£zD·oÄŸˆM«°sGgu§Þ¼jNp ï€q“Ö‚\c-ÕÏô7? ¼+$~5‚äk×ÖŸ £ÄV‡ŠüM}`ÜhÖº ů‡ì®µfÂVrØÚ+K”¶qÉu4×®­w4“µ ~ |7ŸÅ–~9ŸÃ6Óø¯Nðµ×‚´íbâ{»™ôÿ ß\%Ýþ“a ÄíŒW[µÄ‘F“N-aY¤tŠ5_óï¶ÿƒÞ?h:3}û|#’Ø:c±øÉãK†@ÀÈ©=ǃ§Ub¹˜Èpk3Æ_ð{‡í-{i©Cðûö#ø/á«ÉV1¤_x»âwŽü-ºžxÅÔ~'ñe…Ƴsiæ/ÈcðáIPYv°'üÆoõmSU»—PÕ5+ýJþr ×·÷sÞ]Ì@ ·3ÈBª¸œtª™ŽX’}I'ùÐô•ûqÁÒÿðS¿Úñ5¿ xÆ~ý“~êÆ[uðÏÀ‹KÛɧ ÖKhõ‹zÅÌúÃj+a%ŸF: 3¬Ž­hªvWó‡©êš†³{s¨ê·—†¡{uq{{}y4·7—··n$»¼»¹Ùîn¥”o’Gfy™Ý‹1&…QEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEQEÿÙ Créditos



            Mais alguns concertos afiançaram totalmente a banda e fechamos o ano em um concerto pela paz em memória de John Lennon, junto ao Made no lotado ginásio do Palmeiras.
   
         Ano novo, vida velha, concertos e um longo ciclo de apresentações em teatro no Auditório Augusta em Sampa. Novamente o Teatro Pixinguinha e começamos a gravar o segundo disco agora com um pouco mais de cancha de estúdio. Desta vez escolhemos um estúdio maior de dezesseis canais chamado Abertura. O esquema de gravação era também de rapidez total, em uma sessão gravávamos todas as bases. Em outra sessão todos os play-backs de instrumentos e mais uma para as vozes. Depois duas ou três sessões para mixar, tudo muito rápido e entre shows. O grande lance desse estúdio é que era do lado da Avenida Paulista e era enorme, tinha toda a vibe de São Paulo ali no pedaço e nós sempre fomos meio  bairristas neste aspecto.  São Paulo era o túmulo do samba mas era o berço  do  rock.  Para se entender melhor a situação daqueles idos é importante sacar que não havia nada de relevante em termos de rock em toda a nação, a não ser a gestação de pequenas e futuras boas bandas por toda a parte mas em pequena quantidade. As únicas grandes bandas de rock que havia e que  funcionavam eram a Patrulha, Made e o Tutti Frutti. O que implicava no peso de uma responsabilidade enorme no movimento rock Brasil daquele  momento. Para o segundo disco o Dudu assumiu quase que completamente os vocais da banda, mas a presença do Sérgio como cantor e compositor começava a se impor em temas como "Planeta Rock", para esse segundo disco gravamos também duas músicas de um genial roqueiro e compositor de Curitiba o Ivo Rodrigues, das bandas A Chave e Blindagem. Os temas foram "Vampiros" e "Berro", sendo que anos depois os Titãs gravariam um tema com uma levada bem parecida com o nosso arranjo para "Vampiros". Em relação a este segundo disco, o lance mais significante foi que fechamos a distribuição e prensagem com uma grande gravadora, o que nos possibilitou na época o tão almejado e perseguido objetivo de ter nosso trabalho colocado ao menos em termos de disco em todo o Brasil. Quanto a divulgação radiofônica e televisiva, os meios ainda continuavam arredios para o rock aqui na Terra Brasilis. A exceção foi um especial na TV Cultura, gravado ao vivo no Teatro Franco Zampari, em 12 de setembro de 1981,  para a série Som Pop. Infelizmente a Patrulha foi a última atração já que em seguida as portas desse veículo se fechariam, voltando a exibir apenas clips enlatados. As fitas de vídeo e áudio desse super-concerto televisivo também se perderam devoradas pelas labaredas de um incêndio que consumiu entre outras coisas o arquivo da TV Cultura. Era a maledizione da Patrulha que nos perseguia e ainda iria cobrar preços mais altos no futuro.
  
         Os últimos seis meses do ano de 1981 foram consumidos em poucos e grandes concertos em ginásios do interior paulista e no lançamento do segundo disco no ginásio do Palmeiras em  14 de dezembro de 1981. Naquela segunda-feira chuvosa um adolescente presente com alguns amigos nos foi apresentado.  No futuro ele iria ter seu papel na Patrulha e na cena roqueira brasileira. Seu nome,  Fernando Deluqui.
  
         E assim quase no fim de 1981 estávamos ralando na estrada há 1534 dias de serviço full-time ao rock brasileiro, mantendo acesa a tocha que outros pioneiros acenderam décadas antes, e que alguns músicos e críticos se arvorariam alguns anos à frente em dizer que foi com eles que nasceu o rock Brasil. Essa geração se gestava para usufruir da futura abertura política, cultural, de costumes e de mercado. Mas ainda faltavam alguns anos para isso acontecer e a Patrulha ainda não tinha recolhido sua nave ao hangar. Muito rock ainda iria rolar, mas esta é outra história que fica para o próximo capítulo dessa saga contada aqui nos dossiês da Patrulha.

CONTINUA >>>